Nas noites depois da meia noite, minha cabeça trabalha de um jeito diferente. Mais leve, mais criativa, mais livre, mais clara. Gosto de ficar assim, melhor que a sonambulância do dia. Pensar sobre moral, sobre o futuro, historia e...mais recentemente escrever coisas no blog. Mas tem um assunto que é especial e regredindo ao máximo minhas memórias, foi o primeiro dos pensamentos noturnos. Morte.
Quando tinha uns 8 anos, lembro que um dia fiz a estimativa do ano limite em que meus avós viveriam. Acho que era 2020. Depois dos meus pais, um pouco depois de 2050. E depois eu, talvez até uns 2080, com um pouco de sorte. É pouco tempo. E dói pensar que você, todo poderoso, você, vai dar um último suspiro em algum dia não muito distante e virar um corpo gelado. Não sentir mais, não viver mais, não agir mais. C' est le fin, the end, oshimai. Falando assim, em algumas letras e palavras, parece vazio e batido, mas sentir isso é outra história. Difícil de descrever.
Hoje, não tenho tanto horror da morte. Às vezes me imagino como sendo um corpo azul, fico pensando o que aconteceria se morresse amanhã, mas não se preocupem, são devaneios saudáveis. A morte é boa porque é absoluta, seus planos, seu emprego, seus relacionamentos são fúteis perto ou depois dela. E com uma sutil dose de desespero, criam-se regras pessoais como: valorizar seu dia, é tudo ou nada, devo agir, não se afundar demais nas questões da vida rotineira. E consequentemente, agindo dessa forma, tenho mais chance de viver mais vivo. Ando devagar para viver mais feliz.
Relacionado a esse assunto, sempre lembro do filme, aquele dos gregos bombadões, 300. Esqueçam as lições de moral do tipo liberdadeXtotalitalismo, gréciaXpérsia, etc. O que me marca é ver a ação daqueles soldados de capa vermelha. Não hesitaram um segundo nas suas vidas, mesmo a alguns segundos do fim inevitável. Eu estava querendo desenvolver mais, mas acho que ainda não decifrei a sensação do filme em palavras.
End of transmission


